22.5.06
Mi música, su música
Acho que todas as pessoas que gostam demais de música sofrem desse mal. A gente quer porque quer fazer com que os outros ouçam as bandas fantásticas que a gente conhece.É o tipo de coisa que foge do controle e do plano do racional. Tem gente que é tão fã de música que ultrapassa qualquer barreira e rejeita qualquer opinião mais conservadora, do tipo "eu gosto de metal melódico".
Eu tenho esse problema há muito tempo. Na verdade, ok, não há muito tempo. Eu sempre gostei muito de música, mas essa deficiência crônica de semancol só apareceu há alguns anos, quando conheci o Gabriel. Na qualidade de meu marido, ele é quem mais tem que aguentar esse tipo de coisa.
Quando nos conhecemos a gente sempre trocava música, ele gostava de algumas coisas, mas não era e continua não sendo um aficcionado. Ele ouve música com propósitos práticos, como se concentrar no trabalho. Eu ouço música pra preencher o espaço vazio que sobra na minha alma entre as refeições.
Pois enfim, ele sempre ouvia as mesmas coisas, mas eu sempre dava um jeito de mostrar alguma banda que ele não conhecia mas que eu tinha certeza que ele ia amar, porque eu era tipo Pandora, eu conhecia as bandas e podia indicar novos nomes, dentro do mesmo estilo. Mas, porém, entretudo e contanto, eu sou fanática. Não aceito imitações.
Uma vez mandei uma banda que eu achei que seria a cara dele. Dado que ele gostava de Yeah yeah yeahs, Miss Kittin e Blonde Redhead, achei que fazia muito sentido, mesmo que desviando um pouco da idéia original. Afinal, é preciso estar aberto a todas as possibilidades do mundo, né? Eu mandei pra ele uma música do Kinky.
Pra quem não está a par, a banda é mexicana e mistura música latina com rock, eletrônico e afins. Indescritível e ainda assim, tão legal. Eu adoro, acho uma banda excelente e estou disposta a ter meu pé bicado por papagaios albinos pra provar.
Mandei a música pra ele e ele me vem com essa: "é um lixo. E espanhol é a língua mais hilária que existe". Ferveu meu sangue, fiquei indignada. Não sou do tipo que toma críticas a coisas que eu gosto muito bem. Eu vou lá e quero convencer. Mas com o Gabriel não tem convencimento. Vira bate-boca, porque eu não cedo e ele adora fazer pouco das coisas que eu gosto. Prato cheio.
Discussão vai, discussão vem, eu perdi a razão, porque como pessoa fanática, você chega num ponto em que não há argumentos, só insultos. E eu parti pro insulto, claro. Insisti que ele não gostava porque não tinha mulheres gritando e classifiquei qualquer música que ele gostava como "mulheres gritando com violinos ao fundo". E isso é até hoje.

Até tenho um certo apreço pelas bandas que ele gosta. Provavelmente mais do que ele mesmo, já que ele só ouve quando precisa trabalhar ou quando tem enxaqueca, ocasião na qual ele coloca Metallica no último. Mas falar mal de uma banda que eu gosto... aí tem briga.
Mas quem quiser discordar é sempre muito bem vindo a dar sua opinião. Só tem que tomar cuidado com minha horda treinada de papagaios albinos.

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